| Frente & Verso | ||||
|
Tinha tudo para ser uma tragédia anunciada. A rodada era a 13ª. Treze. O time vem de uma derrota em um clássico alvi-negro. O jogo é fora de casa, em Curitiba. Mesmo assim, decido assistir. E, surpresa: o time não joga mal. Gil cai bem pela esquerda, Marcelo Ramos até que se esforça e Fábio Baiano é bem intencionado (mas pensa que é craque e tem o chute descalibrado, sempre forte demais). Tá, o momento não é para críticas. É momento de esperança! Afinal, esse é o time do presidente, que disse anteontem, na comemoração de 18 meses (!) de governo, que a gente precisa ter paciência. Isso eu posso tentar -- ter paciência. Os chutões que partem da defesa tentam vencer os 10 mil km até o ataque. Meio-de-campo não existe. Ih, mas tem o contra-ataque do Coritiba. E um infeliz chamado Alemão (que é mulato, psc) acerta um chute de fora da área (ele nunca mais acerta outro igual) e é gol. Deles, não nosso. Ainda era metade do primeiro tempo. Que situação: pela primeira vez em tempos, o time não joga sofrivelmente, mas perde mesmo assim. Não bastasse o sofrimento endógeno, o locutor da Globo fazia questão de aumentar meu sofrimento exógeno. Preferiria não saber que os porcos mantêm a liderança. E que o Botafogo, companheiro de rabeira, goleava naquele instante o Internacional. O único consolo era uma gracinha infame: os Bambis, na rodada de ontem, tinham exatamente 24 pontos. Eles bem que merecem. Intervalo para o segundo tempo. Nas placas ao redor do gramado, impossível escapar do movimento amarelo da placa da Brahma: nã-nã-nã-nã. Um nã iluminado de amarelo de cada vez. O segundo tempo vem. Rogério empata, e Gil vira o jogo! É nossa vez de dizer nã-nã-nã-nã. Ah, o sofrimento rende muito mais prosa do que a alegria. * * * * - O Tite estava muito elegante ontem na sua camisa listrada em tons de azul escuro. (Eu sempre reparo nas roupas dos jogadores e dos técnicos!) - Acabou a fase da "empatite"? - Um globonauta perguntou ao Casagrande se agora o Corinthians desencanta. Pensei bem e me dei conta de uma coincidência: a má fase do Corinthians coincide com a minha. Veja só: nosso último título foi o Paulistão, em março do ano passado. Se o Timão desencantar, eu também consigo. Agora é torcer! - O número de jogos de futebol que eu tenho assistido é diretamente proporcional à duração da greve na USP. Quando as aulas voltarem, adeus moleza de poder assistir os jogos de quarta à noite! Escrito por Marina às 10h19 [ ] [ envie esta mensagem ] |
||||
![]() | ||||