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Eu (quase) vivi um dia de noiva

Um professor da faculdade já dizia que uma vez picado pela mosca do jornalismo (desde quando mosca tem ferrão?), você vira um jornalista 24 horas. Essa maldição me atacou no sábado passado.

Fui chamada para tirar fotos do Dia de Noiva de uma amiga de uma amiga minha. Não que eu seja uma fotógrafa de verdade (hahaha), mas sou até esforçada e tenho uma câmera boa. Lá fui eu para o salão de beleza, na zona sul. Tirei as fotos e fui direto para o casamento, vestida de "jornalista" mesmo (não deu tempo de trocar de roupa, o máximo foi passar uma maquiagem dentro do carro e trocar a saia amassada por uma calça social).

Já durante a cerimônia na igreja, que foi devidamente clicada por fotógrafos de verdade, o namorado da minha amiga sugeriu: por que você não faz uma reportagem sobre um dia de noiva? É, pensando bem, é uma boa pauta. Mas como estou com preguiça de vendê-la para algum jornal ou revista, aqui vai um relato em primeira mão!

Cheguei no salão quando a mordomia já havia começado: banho de banheira com sais relaxantes, seguido de uma massagem para aquelas que ainda continuassem nervosas. A noiva -- aliás, as noivas, pois eram quatro no salão naquele dia -- estava de roupão branco atoalhado. Conversamos um pouco até que uma das funcionárias do salão viesse chamá-la para a próxima atividade.

Pausa para descrição do recinto das noivas: ficava no andar superior do salão, parecia uma kitnete. Uma antesala com mesa redonda com frutas, uma outra sala com cabides onde os vestidos branquíssimos estavam pendurados ao lados dos véus e o banheiro com a tal banheira. Na sala também havia som, tv e dvd -- alguém quer assistir a "Uma Linda Mulher"?

Logo a mocinha apareceu e chamou a nossa noiva para descer. Era hora de lavar os cabelos. Depois, um funcionário secava e fazia escova enquanto outra fazia as unhas. "Minha unha é de criança, mas hoje vou fazer à francesinha", diz a noiva. Feito.

Voltamos lá para cima e fazemos um lanche -- é a última oportunidade de a noiva se alimentar antes do casamento, já que depois da maquiagem é proibido. A noiva quer passar a limpo a cartinha que vai ler no altar, mas está com as unhas ainda recém-feitas. Eu escrevo para ela -- que responsabilidade!

Depois, ela vai para a maquiagem, com direito a cílios falsos e tudo. As cores são suaves, "puxando para o rosa", como diriam os maquiadores. Essa parte foi a mais divertida, na minha opinião.

Em seguida, descemos de novo para o penteado final. Puxa daqui, escova dali, coloca um grampinho ali. O penteado, com uma mini-coroa de metal com strass e flores, fica pronto.

A noiva não está nervosa, mas falta pouco. É só colocar o vestido de noiva. E quem disse que essa é uma tarefa fácil? Aliás, como deve ter sido a escolha do vestido? "Eu escolhi e mandei fazer. Saiu mais barato porque era primeiro aluguel". Hein? "Primeiro aluguel é quando você manda fazer na loja e você é a primeira pessoa a usar, mas o vestido não fica sendo seu, depois tem que devolver". Mas as vantagens, pelo que entendi, são o preço (saiu por R$ 1800, contra mais de R$ 5000 se fosse comprado) e a personalização -- as medidas do vestido são as da própria noiva.

Vestir aquele modelito pomposo também não é nada fácil. A funcionária do salão pede que a noiva suba numa escadinha para colocar o saiote (que dá o "rodado" à peça) por baixo. E depois amarra apertado o vestido por trás. Ah, não esqueça de calçar os sapatos brancos. "É difícil achar um sapato branco bonito, viu?", diz a noiva. Eu respondo: "ah, não se preocupe. Isso ninguém vai ver."

E não vê mesmo. Na última foto da noiva no salão, já toda vestida e paramentada, quem vai olhar para os pés? Vamos embora do salão para a igreja. A noiva, que tinha prometido não chorar para não borrar a delicada maquiagem, não resiste. Ainda bem. Ficou mais sincero assim. Que ela seja feliz.

 



Escrito por Marina às 11h40
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