| Frente & Verso | ||||
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Papel passado [Escrevo (risco)] Escolho cuidadosamente a caneta: ela é azul, [tem a (risco)] de ponta porosa. A marca e o modelo? Stabilo point 88 fine 0,4. Diz ainda na embalagem que foi feita na Alemanha. Por fora, ela é laranja, com sete finais listras verticais brancas. A "bundinha" e a tampa são azuis, mas num tom mais opaco do que o da tinta.
O papel é ordinário -- na verdade, uma página par (ou o verso de uma página ímpar usada) de um caderno que usei para as aulas de Estatística no ano passado. Agora, uso as folhas avulsas para entrevistas, anotações e palavras quaisquer. Arrisco até uns desenhos.
A letra é irregular. Eu não corto os tt nas mesma altura. E meu a pode ser sem perninha, ou com uma ou com duas perninhas.
Já fui muito frustrada por não ter uma letra de [elogiada (risco)] legibilidade elogiada. Já imitei letras de amigas, mas foi em vão. O máximo que eu consegui foram uns garranchos legíveis, sim, mas sem a menor cara de coisa bem-cuidada, esmerada, prendada. Pudera: nunca apliquei nenhuma dessas características a outros campos da minha vida, por que [a (risco)] com a caligrafia seria diferente?
Para não dizer tão mal assim de meus garranchos, dois comentários: minha letra já foi elogiada por alguns alunos de redação (ah, sei que não vale, afinal, eu era a professora deles, mas não me contive) e uma amiga disse que ela (a letra) tem um quê de caligrafia-no-alfabeto-ocidental com traços de oriental. [ hein? (risco)]
(Minha letra nos alfabetos hiragana/katakana, em japonês, deve ser idêntica: um nativo daquela ilha deve perceber na hora que meus garranchos ressoam ao Ocidente.)
E tudo isso porque eu gosto de escrever.
É, não só no sentido nobre-erudito-literário do termo. Sinto uma satisfação [ incomum (risco)] insuspeita ao deslizar a ponta da caneta sobre o papel (ah, esqueci de dizer que tem que ser pautado, caso contrário, fica tudo muito torto).
[ Pena (risco) Mas (risco)] Isso não dá para vocês verem aqui, com esse texto digitado numa fonte sem serifa que sequer é a minha preferida. Sem calor, sem rabiscos, limpo demais. Sem o contato visual direto com minha personalidade caligráfica.
(Eu só saberia mesmo escrever sobre isso no papel. Essa digitação confusa, que tentou refletir meus riscos e hesitações ao escrever, é proposital. Mas não consegui deixar de editar um pouquinho o texto.) Escrito por Marina às 21h07 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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